Vou,volto e a eterna surpresa do futuro

Estudar e lecionar filosofia me levou a um encontro entre o eu real e o meu eu ideal. No meio desse encontro, que no imaginário ocorre com tais entidades sentadas ao redor de uma mesa cinza em um ambiente familiarizado, sorrisos de canto de boca, olhares que traçam uma tangente na face um do outro, até o momento em que se abre a voz. Corriqueiramente o meu eu real toma as dianteiras, e por horas divaga sobre o seu posicionamento diante de coisas corriqueiras, muitas externas a nós. Meu eu ideal é como se não existisse a mesa, olha para o real, mas pouco muda sua feição, até determinando momento. Esse momento é facilmente detectável, pois o real já está estafado de justificativas e justaposições, suando numa mistura de cansaço e desconforto, sabendo que mais uma vez irá sucumbir ao ideal. Com poucos movimentos meu ideal começa a divagar, como uma bailarina em delicadas linhas de uma dança em terreno desnivelado, graceja um sorriso de soberba ou até de arrogância, sabe-se lá.
No meio disso, estou eu, como se não existisse, apenas um voyeur da minha própria existência, vendo esse embate, pra mim sempre épico, onde o ineditismo não está na vitória de um ou outro, mas na forma como os dois olham pra mim e sorriem no final, sem nenhuma piedade. O real, o ideal e eu.

Comentários

Postagens mais vistas: